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O método que estou usando para ensinar educação financeira à minha filha
Existe uma frase que repetimos muito aqui em casa: “Dinheiro não se ganha. Dinheiro se faz.” É assim que estou ensinando educação financeira à minha filha.
Pode parecer apenas um jogo de palavras, mas ela carrega uma lição importante para qualquer criança: o dinheiro é consequência de esforço, responsabilidade e boas decisões.
Nos últimos anos venho ensinando minha filha, de 8 anos, sobre dinheiro de uma forma prática. Nada de apenas conversar sobre economia ou poupança. A ideia é que ela viva pequenas experiências financeiras compatíveis com a idade dela.
Tudo começa com tarefas simples.
Quando iniciamos esse processo, as responsabilidades eram poucas e fáceis de cumprir. Conforme ela foi crescendo, fomos aumentando gradualmente o número de tarefas e o nível de responsabilidade.
O objetivo nunca foi fazer com que ela trabalhasse dentro de casa. O objetivo sempre foi ensinar conceitos importantes:
- Responsabilidade
- Compromisso
- Disciplina
- Relação entre esforço e recompensa
- Planejamento financeiro
- Investimento
Mas existe uma parte dessa história que pouca gente fala.
Criar hábitos não é fácil.
Há alguns meses, Maria Laura começou a achar a rotina monótona. Ela já não demonstrava o mesmo interesse pelas tarefas e frequentemente queria deixar algumas atividades para depois.
Seria fácil desistir naquele momento.
Mas em vez disso, continuamos insistindo aos poucos. Sem brigas, sem pressão exagerada e sem transformar a rotina em uma disputa diária.
A verdade é que hábitos raramente são construídos porque temos vontade de fazer algo todos os dias. Eles são construídos pela repetição.
Hoje ela voltou a realizar suas tarefas com mais naturalidade porque a rotina foi mantida durante tempo suficiente para fazer parte do dia a dia.
Ainda não aplico isso com ela, mas logo que ela ter mais responsabilidade as coisas vão mudar. Conforme a criança vai crescendo é importante fazer uma distinção das tarefas.
Nem tudo gera recompensa financeira.
Algumas atividades fazem parte da vida em família e devem ser realizadas independentemente de pagamento:
- Arrumar a própria cama
- Guardar o material escolar
- Cuidar da higiene pessoal
- Organizar os próprios pertences
Isso evita que a criança desenvolva a mentalidade de que só deve colaborar quando recebe algo em troca.
Já outras tarefas podem gerar ganhos extras.
Atualmente ela recebe o valor referente às tarefas realizadas ao final da semana.
Com esse dinheiro, ela toma decisões reais.
Uma das opções é comprar o lanche da escola, que custa aproximadamente R$15 entre salgado e suco.
Outra possibilidade é usar o cartão de crédito, mas existe uma regra simples:
Só pode usar se tiver dinheiro para pagar.
Parece básico, mas muitos adultos ainda não aprenderam essa lição.
O cartão não aumenta o poder de compra. Ele apenas muda a forma de pagamento.
O restante do dinheiro vai para os investimentos.
Onde guardamos/investimos o dinheiro
Hoje utilizamos o porquinho de investimentos do Banco Inter para que ela consiga acompanhar o crescimento do patrimônio.
Se ela não atingir o valor necessário para comprar o lanche, simplesmente não compra naquele dia. O dinheiro continua acumulando e segue para os investimentos.
Outra estratégia que logo será implementada é a criação de bônus por consistência.
Em vez de premiar apenas uma tarefa isolada, a ideia é valorizar a repetição.
Por exemplo:
- Cumpriu as tarefas do dia: recebe o valor normal.
- Cumpriu as tarefas durante cinco dias da semana: recebe um bônus adicional.
Isso ajuda a ensinar uma lição importante da vida adulta: constância costuma valer mais do que resultados pontuais.
Também procuramos conversar frequentemente sobre objetivos maiores.
As crianças costumam se engajar muito mais quando entendem o propósito por trás das ações.
Guardar dinheiro apenas por guardar raramente é motivador.
Mas juntar dinheiro para comprar algo desejado, alcançar uma meta ou ver o patrimônio crescer torna todo o processo mais interessante.
Conclusão
No final, o maior aprendizado não está no valor que ela recebe.
Está no que ela aprende sobre escolhas.
Porque um dia ela vai administrar quantias muito maiores.
E quando esse momento chegar, espero que ela já tenha aprendido algo fundamental:
Dinheiro não aparece por acaso.
Dinheiro se faz.